Comparativamente
17:43
Resolvi parar minha leitura de O Santo e a Porca para escrever rapidamente algo que, de súbito, tomou meu consciente.
Desde segunda-feira sinto-me desolada devido o meu desempenho no ENEM, pois a falta de atenção mais uma vez me fez perder questões valiosas. Fui responder a prova decidida por Direito, já que nos últimos dias minha inaptidão com Biológicas se mostrou evidente.
Cheguei em casa dividida entre o pessimismo e o positividade e, diante da expectativa de minha família, comecei a temer o que o gabarito poderia significar. Eu não tive tempo de ler todas as questões, mas estava confiante nas que tinha resolvido.
Resultado? Errei uma boa parte daquelas que, com esmero, dediquei meu tempo a calcular. Me senti a pior pessoa do mundo, errando tanto aquilo que me esforcei para aprender. Para agravar a situação, tive que lidar com a tristeza dos meus pais, que no dia anterior se surpreenderam com meu desempenho.
Enfim. Quarta-feira não consegui ficar na aula, não consegui me concentrar, não consegui sequer imaginar a possibilidade de não passar. Terminei o dia aflita e abatida e hoje, na quinta-feira, não fiz grandes esforços para estudar os assuntos do vestibular da UESB, que ocorrerá em Dezembro.
Estou aqui, como disse, tentando ler esse livro do Ariano Suassuna e, de repente, percebi que meu maior medo talvez não seja a reprovação no SISU, mas sim a possibilidade de ficar para trás em comparação aos meus colegas. Só de pensar que posso entrar na universidade quando alguns já estiverem na metade do curso, ou perto disso, percebo que posso ser capaz de escolher algo que não tenho convicção, a fim de evitar comentários e julgamentos.
Onde está aquele empoderamento do "não me importo com o que dizem?". Acho que se perdeu diante das expectativas alheias sobre mim. Talvez o problema seja exatamente esse: querer/ter que prestar contas sobre meu desempenho, para não ferir a imagem de estudiosa e inteligente. Acrescente-se a isso a inveja de ver outros felizes e aprovados e eu ainda no caminho para isso.
Mas e se Deus estiver me dando mais um tempo para repensar minhas escolhas? E se Direito não for minha área? Ou medicina? Eu tenho certeza que não consigo escolher nada por enquanto. Por isso resignei-me com a justificativa do "farei o que minha nota der". Assim estarei isenta da culpa de estar fazendo algo que não gosto.
Eu, sinceramente, não vejo nenhum curso de meu interesse. Por isso me esforcei para ter um bom desempenho em todas as áreas. E quase consegui, mas não por mérito próprio. Todavia eu já estava decidida por Direito, muito embora algumas vozes ecoassem ao meu redor... "será isso mesmo?".
Percebi aqui que talvez eu esteja diante de mais um ano de estudos e amadurecimento, para não dizer de reconstrução, retorno aos meus valores. Que importa se beltrano passou e eu não? Nessa caminhada nós estamos sozinhos... ela nada mais é que uma competição com diferentes linhas de chegada.
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